sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Valeu a pena a travessia?

"Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez."

José Mário Branco.
FMI

sábado, 6 de Dezembro de 2008

Durante a noite...

Comecou a nevar.

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Dias dos Obrigados e Sexta-Feiras Negras!

Tem sido cada vez menos habito escrever. E cada vez mais dificil, especialmente porque o meu teclado pifou, e so me resta o teclado emprestado e americanado da Dell. Tudo o que escrever doravante nao estara em portugues muito correcto. A acentuacao foi-se de vez ate que volte a costa portuguesa. Com teclado americano vou-vos contar entao como passei uma quadra americanada.

Nao houve peru para mim. Houve trabalho, sem cantina, porque a entidade CSHL estava encerrada para ferias. Houve por isso alguma fomeca durante o dia, com um jantar num sitio manhoso, dos poucos abertos em dia de thanksgiving, em amena cavaqueira com um russo e um chines tambem desterrados das tradicoes yankees. E foi assim, sem mais brilho que isto. Este seria um dia para passar em familia, com as pachorrentices inerentes a uma bela consoada e ao belo dia de Natal. Mas, a falta de melhor, achei que posso bem esperar pelo belo bacalhau e pelo cabrito e outras comezainas dessas boas e sem molhos doces. Que se lixe o peru. O que me faz falta mesmo e o pao, especialmente o de Janas, com boa manteiga com sal!

No dia seguinte, e para nao morrer de fome (a cantina continuava fechada), fui a cidade. A Black Friday significou que havia muitas pessoas as compras, aproveitando os descontos miseraveis para estoirarem o credito e injectarem nheirinho na economia ca deles, que tao necessitada anda. Nada de mais e apenas isso. Uma confusao dentro das lojas, mas nao tanto noutros sitios. Acabei por ir ver uma peca ao New York Workshop Theater, O Grande Inquisidor, de F. Dostoievski, numa encenacao original de Peter Brook. Peter Brook foi o chamariz e o texto nao se revelou nada mau. Cristo retorna a terra, a Sevilha, nos tempos da inquisicao e e mandado prender por um inquisidor por fazer 'milages'. O resto e monologo bom do inquisidor, cheio de boas perguntas. O salvador esse, nao abre a boca. De palavras esta o mundo cheio, nao?

A noite fui ter com uns amigos portugueses, acabei por dormir em NY e passei o dia seguinte com eles em Williamsburgh, ao frio, e com momentos de grandiosas paisagens. Antes de voltar a casa ainda fui aos saldos das Macys. As nove da noite a maralha ja tinha assentado arraiais noutro sitio, o ambiente estava mais tranquilo. Comprei dois pares de calcas que me fazem falta.

Isto sao os meus happy days. Ooooh sooo wonderfull!... ja diria a Winnie.
Agora, se quiserem ver uma coisa interessante, cliquem aqui.

quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

DC

Na semana passada dei um pulo a Washington, DC.
Fui la para uma conferencia de neurociencias, mas, e porque ha que aproveitar nestas coisas, tirei uma tarde para dar um salto aos seus sitios mais emblematicos. Das primeiras coisas com que me deparei foi com um pinaculo falico, daqueles que qualquer nacao gosta de apresentar ao mundo (lembro-me do pinaculo em Paris, mas muitos outros haverao). Claro que os americanos nao ficariam atras. La mais ao fundo, um lago com vista para o pinaculo e para o capitolio (onde os senadores americanos fazem senadices, como aprovar dinheiro para ser gasto no iraque ou para ser esturrado pelos bancos aflitos). Num sitio mais escondido, a vivenda que o Obama arranjou como pouso durante uns anos, depois do texano de la sair.
O mais porreiro de tudo foi mesmo encontrar-me com o amigo Lincoln. Subi as escadarias como o Rocky, a sussubiar o 'the eye of the tiger', e depois encontrei-o ali sentado no meio do seu mausoleu. Claro que lhe pedi um conselho. Mas Lincoln so sabia falar mesmo era de liberdade, democracia e de fazer o que e certo e nao desistir e mais essas todas banalidades americanas que esta gente sabe de cor. La fiquei na mesma com as minhas perguntas existencialistas sem resposta. Mas ja devia saber que o Lincoln nao seria de grande ajuda. Talvez encontre nas velhas estatuas das cidades europeias mais sabedoria para estas coisas. Por isso, e ate agora, ca continuo a andar movido pela sabedoria do hamburguer.





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terça-feira, 25 de Novembro de 2008

A arte e as cataratas

Ainda relativamente ao passeio que fiz faz duas semanas por sítios onde ainda não tinha estado. Uma foto tirada no MET, a outra no Whitney Museum of American Art, ambas o olhar da mais-idade. Gosto muito de ver pessoas mais velhas em museus. Tem o efeito de me sossegar. Talvez o olhar que cada um põe nas coisas belas afinal não se definhe no caminho entre o crescer e o ir morrendo. Pelo menos não para toda a gente. Há pois esperança.


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domingo, 23 de Novembro de 2008

Qual é a coisa qual é ela.

Não tenho posto nada aqui já faz muito tempo. Até o meu avô reclama.
Mas não se preocupem, não estou propriamente vegetal. Há duas semanas atrás pus-me a ver umas coisas que ainda não tinha visto por NY. Dá-se um prémio ao primeiro que adivinhar o que raio são estas curvas todas, e o que levou o pinóquio ao suícidio. Fico à espera. Entretanto, vou tentando juntar umas peças para vos tornar a contar histórias mais frequentemente.




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segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Corrida III - o apoio das massas

Ainda relacionado com a maratona do outro dia. Mostro-vos as diferentes personages que apoiavam o sacríficio de toda aquela gente corredora. Em Williamsburgh, sendo um bairro de músicos e artistada, esquina sim esquina não ouviam-se bandas e DJ's a bombar música para acelerar a passada e confortar os ânimos. De resto, no meio das gentes comuns, uma ou outra personagem, como a mulher maravilha, o judeu ortodoxo saído do Snatch ou o esperançado homem do O.




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sábado, 8 de Novembro de 2008

A Corrida II

Um desfile de personagens.




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A Corrida - I

E agora que chegou ao fim a corrida à Casa Branca deixo aqui umas fotos que tirei no fim de semana passado da Maratona de Nova Iorque. Estava a passear por Williamsburgh quando reparei nesta maralha de gente a correr. O que me impressionou mais não foi o número de pessoas ou a distância que tinham a percorrer. O que me impressionou a diversidade de personagens que se levantaram naquela manhã para fazerem os 40km de Coney Island a Manhattan e principalmente o gosto que tinham a correr aquilo tudo. Um sacríficio que era bom porque vinha da tal vontade americana.



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quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Happy Ending

Como todos os bons filmes de Hollywood, também este teve um final feliz.

O voto foi levado bem a sério hoje. Para votar em certos sítios as pessoas tiveram de esperar durante horas para, na maior parte dos casos, irem trabalhar a seguir. Ou depois de voltarem do trabalho. Votou-se a uma terça-feira! Onde é que seria isto possível no meu País? Já para não falar durante os outros dias de campanha, o esforço e a coordenação dos voluntários, mais o seu brilhozinho nos olhos! Eu bem os vi nas ruas de NY, imagino como terá sido a luta naqueles estados mais resilientes.

A América é um país especial. A forma como as pessoas deste país encontram sempre uma força para alimentar um qualquer sonho, vontade ou ambição, é notável. O empenho que colocam numa qualquer luta que achem justa, e a forma como parecem ter uma motivação sem fim que as dirige para um objectivo que traçaram.
Porque acreditam ter um papel importante no mundo. Acreditam serem algo especial, que pode tudo, que pode mudar, que deve lutar, para poder desempenhar o papel que acreditam ser o deles.

Claro, precisam de muitas luzes e brilhos, momentos açucarados, e mantras fáceis (yes we can), muito adjectivos e lágrimas e emoções e outros exageros. Mas isso só os torna mais obviamente humanos.

Obama é além de tudo um exímio orador, um político que é o que um político deve ser. É um líder que invejo, e desejaria para o meu país. Aqui fica um bocado do seu discurso talvez Hollywoodesco e populista mas, quando verdadeiro, totalmente necessário.

"...and for those who have wondered if America's beacon still burns as bright, tonight we proved once more that the true strenght of our nation comes not from the might of our arms or the scale of our wealth but from the endurant power of our ideals, democracy, liberty opportunity and unyielding hope. That's the true genius of America. That America can change. Our union can be perfected. What we already achieved gives hope for what we can and must achieve tomorrow."

Porque é a oportunidade de mudança a coisa mais útil que podemos querer da Democracia.

Agora é esperar todo o "to be continued" que aí vem. Mas isso, sinceramente, até nem é o mais importante. Desta vez, o exemplo está dado.

terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida...


E pronto, é hoje. A ver vamos.



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segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Booh!

Sexta-Feira foi Halloween cá por estes lados. À noite um amigo convidou-me para ir ao grandioso desfile da Greenwich Village, cheio de gente bem disposta e mascarada. Aceitei o convite, no papel de missionário inquisidor. O desfile desde a Canal Street pela sexta avenida acima. A coisa é engraçada, e ao contrário do que pensava, não há só monstrengos e bruxas por todo o lado. Eles aqui não usam o Carnaval, por isso estas coisa de se mascarar praticam-se na véspera do dia dos mortos. É engraçado ver o trabalho que muita gente se dá a criar a sua personagem o mais extravagantemente possível. Depois há sempre as que usam o disfarce para se tornarem mais galantes, ou os mais tímidos que se ficam pela cabeleira de palhaço ou algo parecido. Percebi que os alter-egos, uns mais significantes que outros, deixam-se passear na noite de 31. Trick or treat? No halloween ninguém leva a mal.





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terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Outros dias soalheiros

Já tive de calçar as botas para a chuva. Deixo-vos imagens de arquivo, tiradas em dias mais soalheiros, nos princípios de Outubro. Uma azáfama de casamento, um piquenique judaico-glutão e a pausa lânguida da autoridade.






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segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

2635- Saudades de Casa!



Para quem não consegue situar, o edíficio onde os marmanjos estão a tocar ( e as groupies aplaudem, uma delas minha tia) fica mesmo por cima do Polisuper, a dois passos da casa da minha avó, do Kioskizé e do barbeiro Piçarra. Mais para baixo fica a estação e o Arco-Íris onde se comem bons pregos, a escola primária nº 2, a praceta da pirâmide (onde mora a Joana), o Boca Doce e a comuna do João. Para cima, o CC Fitares, o campo da Seara e o place do Ulisses. E desenganem-se, que a Rinchoa tem mesmo um miradouro, ao cimo das escadaria grande. De lá pode-se ver a Serra e o seu palácio, o mar do Estoril mais ao longe e a bela da IC19 ali tão perto.

Como diz o ppl, "Rio de Mouro está em toda a parte!"

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Jornalistas no laboratório

Do outro lado, em Oeiras, é isto que se vai passando.
A SIC foi ao IGC, onde trabalho quando estou em Portugal, e filmou o pessoal da Champalimaud. O resultado é este.

Num topo do Mundo

Fiz 25 anos no dia 18.
É daquelas datas marcantes na vida de uma pessoa, pelo menos de uma pessoa que acredite na importância de efemérides. Cada um acredita na importância das coisas da forma que quiser. Eu tendo a tender para as efemérides como um ponto de chegada e também de partida. E para simbolizar essa coisa da chegada e da partida, nada tão bom como a figura de uma Mãe. Por razões óbvias.
Isto para dizer que recebi a visita da minha mãe em NY no fim de semana dos meus anos. As peripécias foram muitas, muita personagem vista, muita fotografia tirada, muita caminhada, muito lugar visitado, isto em apenas três dias. Escolhi partilhar convosco este lugar que vos mostro. Um dos topos do mundo. Aqui está uma boa forma de comemorar uma efeméride. Visitar um dos topos do mundo. Que mesmo sendo visitado por tantos outros, a forma como o vimos é nossa, guardamo-la como única e pessoal. Fica. No lusco-fusco vimos, eu e a minha mãe, a paisagem de cima do Empire State Building. Ainda não o tinha visitado porque achei que teria de o fazer de forma especial. E as voltas da vida sorriram-me. Fui lá acima numa altura especial, com alguém especial. Porque as efemérides importam. Ornamentar as coisas com o pózito mágico importa.

E para não nos esquecermos que estávamos em NY, as estrelas que se viam, ainda o sol mal se punha, não eram estrelas, eram aviões a aterrar.




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terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Quarta e Quinta na Cidade

Não é comum ir a NY a um dia de semana. Pois calhou que comprei dois bilhetes para dois espectáculos diferentes, em dois dias consecutivos, na mesma semana. Foi uma barrigada! Sair do trabalho a horas decentes, pôr-me o comboio, metro, Brooklyn num dia, Harlem no outro. Woyzeck num dia, Antony no outro. Duas criaturas estranhas em dois mundos estranhos.

A voz de Antony surpreende vinda de um homem tão mulher, num corpo tão desajeitado. Um choro melancólico, vestido de branco, acompanhado por uma orquestra no Apollo Theater. Os queixumes da sua voz lembraram-me de outros tempos em que a mesma voz nos comovia intensamente. Mesmo que agora o "nos" já não seja tão plural, fica sempre aquele carinho pelas vozes de tempos bons.

Woyzeck é um tipo mais normal. Também eu poderia ser Woyzeck.
A adaptação que o grupo Islandês apresentou na Brooklyn Academy of Music era feita de energia explosiva e candura poética, conceitos que os islandeses tão bem parecem saber unir. Uma incrível disponibilidade dos actores, às vezes lançados pelo ar como trambolhos, por vezes imersos em água num tanque/moldura, sempre intensamente na personagem. Um acepipe para deliciar um pouco mais, a música original foi criada de propósito por Nick Cave.

As viagens de volta de NY para CSHL, à noite, depois do trabalho, custam sempre um bocadinho. Mas assim se consegue encontrar mais do que uma única vida. De outra forma, só como os gatos, tendo mais do que uma vida, herdadas de nascença.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Lucky Weekend

No fim de semana que passou estive com duas amigas de Portugal, dos tempos do IGC, a Mariana e a Margarida. Elas agora trabalham por Boston e NY e encontrámo-nos para passear pela cidade. Acabou por se tornar um fim de semana com pequenos acontecimentos mirabolantes. Fomos a uma "vernissage" (inauguração em chiquelês) de uma exposição de escultura numa galeria em Chelsea, com cervejas à borla. Encontrámos um sofá do IKEA na rua, quase novito e bem jeitoso. Alombámos com ele Manhattan acima, 100 e tal ruas, de metro até à casa de uma das moças (foi o efeito da cerveja). Descemos até Chinatown para comer um asiático manhoso. Caminhámos para a Village para uns drinks. Encontrámos 400 dólares na rua e repartimos o dinheiro irmanamente. Gastámos algum dele em marguerittas e outras iguarias. Acabei a dormir no sofá alombado e no dia seguinte ainda deu para passear por umas feiras de Outubro com tempo de Verão. Um fim de semana bem sortudo, na companhia de novas amizades!

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segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

A Oeste do Hudson

Tentando retomar a passada no caminho, encontrar o fio à meada e tal, tenho de voltar ao primeiro Domingo de Outubro e mostrar aqui o o lado Este de Manhattan, mais ou menos no centro da ilha. Daqui vê-se a ponte de Queensborough e o teleférico que o homem-aranha salva de cair ao rio Hudson. O teleférico, longe de perigos, leva quem quiser ir para os lados da Roosevelt Island, uma ilhota minorca que fica entremeias com Queens e Manhattan. Mas, atracção das atracções deste lado do Hudson é mesmo a sede das Nações Unidas. Um edifício mais pequeno do que grande parte dos outros mamarrachos, com um luzidio especial feito de cobre e verdete e segurança aprumada. Não vá a gentalha, sempre descontente com o rumo que o mundo leva, entrar por ali adentro e tentar apertar o gargalo a um par de líderes que por lá se pavoneiam de quando em vez. Uma semana antes a senhora Sarah Palin, toda lampeira, tinha ali apertado a mão ao senhor Musharraf e a uma cambada de árabes. Entretanto tantas coisas aconteceram! (isto lembra-me que me ando a descurar um pouco com as eleições e com o crash de wall street... um dia destes comento também essas novelas).





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segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Viva o Buda!



No sábado que passou visitei brevemente a zona asiática de Queens, Flushing, e tive um jantarzinho num restaurante asiático-kosher-vegetariano.

Que o restaurante seja asiático e vegetariano, não traz grande admiração. Que ele seja kosher e vegetariano, também não. Agora, a mistura destas três coisas é que traz água no bico. à primeira vista não se nota grande diferença entre o típico restaurante chinoca que se encontra em portugal e este lá para os lados de queens. As cadeiras a imitar pau de cerejeira, as mesas redondas com aquela coisa que roda ("lazy susan"), os empregados atarefados e o cheiro a chinês. Mas há um pequeno detalhe no menú. Tudo, mas mesmo tudo naquele restaurante é vegetariano. Até os pratos de galinha, peixe, camarões, porco, vaca, cabrito... Tudo vegetariano. De facto o que comi sabia a carne e a textura era relativamente parecida. Mas no final, não passava de um conjunto elaborado de artifícios de soja, tofus e todas as outras coisas que essa gente gosta de comer, preparados com mestria necessária de quem sabe enganar os sentidos.

Nunca me tinha sentido tão incrédulo num restaurante (e talvez desencorajado) a escolher o que comer. Nunca um menu me causou tanta confusão. Considero-me até corajoso nestas coisas, não me importava de experimentar partes de animais do arco da velha, crus ou cozidos, e outras coisas nojentas, se de facto forem boas... mas, comer uma coisa que não o é e assumidamente é especial por não ser aquilo que diz ser... causa certa confusão.

O facto é que a comida sabe bem, vá-se lá saber como é que eles arranjam aqueles sabores. E é divertido ver os vegetarianos puros e duros a lambuzarem-se, todos contentes por finalmente comerem coisas com algum sabor a comida que se preze, sem terem de retraír o carapuço de amigo dos animais. E tudo isto graças ao Buda e aos seus monges que incapazes de fazer mal a um bichinho que seja não deixaram de comer o seu cabritito, mesmo que feito de sementes de soja!

As coisas que se encontram nesta cidade!

domingo, 5 de Outubro de 2008

Bucolias de príncipio de Outubro

Quando cheguei, dois meses e alguns dias atrás, todas as noites no caminho para casa tinha de passar por um coro inacreditável de bicheza a zurzir, um som como um motor a altos berros, algo que nunca tinha ouvido até então e que não se calava nem quando acordava na manhã seguinte. Ontem apercebi-me que as cigarras finalemente se calaram. E vejo agora que já se calaram há algum tempo. Deve ter sido quando alguém ligou o maldito aquecimento central.

As cigarras calaram-se, o tempo já não é húmido e quente, e a água da praia apetecível. Agora que Outubro chegou os dias ficaram meio frios, vêem-se cogumelos no meio da relva, a passarada emigra para outras bandas, e sente-se que a água se vai preparando muito lentamente para mais tarde congelar. É uma tensão esquisita que se sente vinda da baía. Só os esquilos parece que vivem na mesma estação. Irrequietos, numa compulsividade de mascar bolotas ou o que raio é aquilo, a subir e descer, subir e a descer das árvores encarequiçadas. Certamente daqui a uns tempos também eles hão-de estagnar.

O bom de viver no meio de nenhures é que reencontro coisas de que já me tinha esquecido. Como por exemplo, como às tantas da noite o caminho para casa se torna mais fácil de cada vez que a lua se põe cheia. Ou como o lume dos pirilampos se apaga com o frio.

Até é bom que o Verão não dure para sempre!

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Teatro do Oprimido

Este fim de semana dediquei-me a outros palcos.
Passei sábado e domingo, 8 horas por dia, dedicado a um workshop de "Theater of Opressed" (em bom inglês). Esta disciplina teatral criada por Augusto Boal e com um toque filosófico de Paulo Freire, ambos brasileiros, foi-me primeiro apresentada nos meus primeiros passos no teatro, sob a forma de exercícios simples, capazes de nos transportar para estados mágicos de actividade teatreira. Quem mo apresentou foi o Rui Mário, já lá vão uns 6 anos.

Agora, um pouco mais crescidinho, decidi que queria re-apreender o trabalho do Boal por outras fontes, perceber um pouco mais de onde vinham aquelas coisas que fazia, quais os pensamentos por trás, as técnicas e filosofias. Mais importante, tinha mesmo de saltar um pouco para o outro lado, que isto de sempre ciência também chateia como o caneco e é sempre melhor passar bom tempo rojando pelos chãos de um palco sujo!

Foi um fim de semana muito bem passado, em boa e nova companhia (totalmente feminina (e bem gira), que isto de o teatro ser para paneleiragem tem destas vantagens). Gentes de NY e arredores, interessadas noutras coisas, com muita vontade de querer mudar um pouco o mundo em que vive, e a vontade de querer aprender a fazê-lo através do teatro.

Não é propriamente uma forma de fazer teatro subtil. Pelo contrário, é mesmo muito directa, com uma mensagem pedagógica, sem se dar muito a estéticas frágeis, mais disponível a ser percebida e interpretada facilmente, porque se põe ao mesmo nível do público a que se dirige. Tem por missão última a de fazer representar as relações de poder, os conflitos entre opressor e oprimido, e obrigar a reflectir sobre soluções para a resolução desses mesmos conflitos. O objectivo é que a linguagem teatral se una a uma linguagem social e política, de forma directa, e faça transmutar o sentimento de passividade e impotência em actividade potencial. Fazer acreditar, e dar armas para acreditar. Parte tudo de uma base simples, e passo a passo, dinamizando as acções, a cena constrói-se. No final, a reflexão sobre a cena impõe-se. Cada pormenor, o espaço, os objectos, as atitudes e estratégias tomadas por cada personagem no desenrolar da acção, são escrutinadas e é dado ao público a palavra última.

A mensagem é simples. A responsabilidade de mudança cabe a cada um. O actor, seguindo certas estratégias, tem a responsabilidade total para criar, melhorar e mudar a cena. No palco da vida, tudo terá de ser igualmente possível.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Ma che cosa cè?

É a festa de San Gennaro é o que é. Aquela festa que aparece na primeira parte do Padrinho. Mesmo no centro de Little Italy. Fui lá parar por acaso, há duas semanas atrás, ainda na companhia da Baguinho e do Cláudio. O dia estava quente demais, passámos transversalmente pela festa que se estendia por duas ou três ruas empacotadas de pessoas e fomos descansar noutro sítio. Para trás ficou o gelatto, o calzone e outras iguarias, um sabor a festinha italo-americana soprano-style, misturado com Chinatowners e uma data de turistada.





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terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Outra pequena alegria da vida

Aaaah,
Chegou o Outono!

As pequenas alegrias da vida.

Aaaah!
O Benfica ganhou!

domingo, 21 de Setembro de 2008

Jump!

Um saltinho ao outro lado, para desanuviar. Londres, UK, Parkour. Talvez um dia os miúdos de Rio de Mouro consigam saltar obstáculos assim.

sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Reconciliação

Acabei de chegar do concerto de Sigur Ròs. Perdoem-me o jeito tolo em que vou escrever, mas depois de um concerto destes senhores é muito provável que nos dê para estas coisas. E desta vez não há fotos, não levei a máquina, saí à pressa do laboratório. Pode ser que encontre alguma coisa pela net entretanto.

A primeira vez que vi Sigur Ròs ao vivo foi em Lisboa há alguns anos atrás, talvez cinco. Tinha como companhia um amor gentil mas impossível. Num dos camarotes do Coliseu dançava o meu amor que o seria durante alguns anos, mas que na altura ainda não sabia que viria a ser. Foi uma experiência enebriante, ainda pueril, um entusiasmo que não se verá mais. Um momento especial.

A segunda vez que vi Sigur Ròs, passados talvez dois anos, foi em Tilburg, na Bélgica. A primeira vez que me vi fora do país por largo tempo, um ano significante. Desta vez o concerto foi verdadeiramente impessoal, tristemente banal. Estava com dois amigos, um deles viria a tornar-se um dos meus melhores amigos. No fim do concerto encontrei a banda num dos bares da vila, bebi umas cervejas, falei com eles, talvez meia hora, conversa da treta, perdi todo o encanto. Vi-os humanos. Tinha sentido a música de outra forma, numa outra altura. A desilusão instalou-se. Nunca quis ouvir muito mais de aí adiante.

Desta vez, a terceira, eles vieram tocar no United Palace Theater. É já um sítio mágico para mim, já lá tinha visto Eddie Vedder, e agora pensei que seria um bom lugar para rever Sigur Ròs. Não me enganei. Como igreja que é, o Palace é um bom sítio para a reconciliação. O espectáculo em si foi excelente, o público estava impressionado e portou-se bem (ainda que com a terrível mania que os americanos têem de se estarem sempre a levantar das cadeiras para ir buscar qualquer coisa para comer ou beber, bem no meio das músicas, xiça!!). E porque passei muito tempo do concerto a relembrar coisas boas e a ouvir canções que não ouvia há tanto tempo, os Sigur Ròs voltaram a ser para mim um bocadinho iguais ao que foram outrora. Especiais.

Vou continuar a não tocar nas músicas deles muitas vezes. Sendo especiais, não são para gastar. Mas ao menos agora, não vou ter receio de as ouvir quando precisar. Assim vale a pena ir a um concerto. Para uma reconciliação com coisas passadas, nem que estupidamente simples. Não vale a pena guardar coisas encravadas, quaisquer que elas sejam. Mesmo que demorem algum tempo a desencravar.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Chelsea by night


Perdi o comboio uma vez mais e restou-me esperar uma hora e meia até ao próximo. Desta vez desci a Chelsea, 23th St a ver como era o mundo nocturno por lá. O Chelsea Hotel continuava por lá, a fazer lembrar o outro, Million Dollar . Uma misteriosa coquette asiática olhou para mim no momento certo. No mesmo cruzamento,um polícia fazia o turno passar, da forma como podia, sentado num carro caricatura a ler as notícias de ontem. Encontrei já a voltar para trás a despedida apaixonada de um casal bêbado, com táxi já à espera. A luz não foi gentil comigo, mas a acção durou uma eternidade. Por Chelsea, Nova Iorque, é também a tal cidade que nunca dorme.




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sábado, 13 de Setembro de 2008

Proudest Monkey

Na quarta-feira passada dei um salto à cidade, tendo prestado a devida atenção ao espaço vazio entre a plataforma e as escadas do comboio. Para isso está lá o sinal!
Fui a meio da tarde para me encontrar com o Cláudio e a Baguinho, amigos dos tempos do programa doutoral em Coimbra. Chegaram esta semana a Nova Iorque e entre passeatas lá nos encontrámos. E eu era um macaquito bem contente com tão ilustres visitas! A correr, estive pouco tempo com eles, o suficiente para andar 25 ruas pra sul e tirar uma bela foto, com restos de pizza no canto da boca. A pizza foi comida à pressa porque daí a pouco tinha um concerto de Dave Matthews Band no Madison Square Garden, palco nobre de NY para concertos e casa dos New York Knicks. O concerto foi excelente, o rapazito tem uma bela banda, um grande baterista, o povo americano é o melhor público para ele e o MSG um palco digno de uma performance esforçada. Vazio o MSG parece um pavilhão atlântico mas quando cheio o efeito de anfiteatro a abarrotar é uma maravilha.
Comecei o concerto literalmente na última fila de todas, mas mais para o meio enfiei-me sorrateiramente lá para baixo e o gozo foi outro. Muita rapariga do estilinho de Long Island, boas, loiras e burras, e americanadas ao seu bom estilo. Alguma cerveja, e canções boas. Valeu a pena ter de chegar às 3h da manhã a casa. Ah! e quem apresentou o Dave Matthews foi nem mais nem menos que a Julia Roberts, com uma bela T-Shirt do Obama. É simpática a senhora.




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quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Hanna Barbeira

Por cá, cá se vai andando, uns dias melhor outros pior, com a cabeça entre as orelhas. No fim de semana fartou-se de chover a potes por culpa da Hanna, esse furaçãozito que matou gente de terceiro mundo e ensopou as estradas do estado de Nova Iorque.Neste estado limitou-se a ser tempestade tropical, e pelos vistos, assim é costume. Não se ouve falar de furacões em Nova Iorque. De vez em quando uns aviões ou uns Godzillas, mas furacões não.

É a época dos furacões pelos states e as pessoas levam isto na boa. O próximo tem nome de quem espancou a Tina Turner. E depois desse o a seguir terá nome de mulher. Uma vez macho, outra vez fêmea, para não estragar as quotas. É como a senhora Palin e o velho McCain, mas isso são outras tempestades... A mim isto das intempéries ainda me faz uma certa confusão. É isso e as trovoadas com raios e trovões que de vez em quando aparecem e desaparecem a meio do dia. Mas já se sabe. Outros sítios, outros costumes, outras formas de estar, outras formas de chover.

Entretanto, quando o céu abre, dá-se uns mergulhos nas águas fétidas da baía, joga-se Ultimate Frisbee ou voleibol, aproveita-se os pores do sol e sua-se com o calor húmido. Isto tudo, nos intervalos do trabalho, que é muito, e ainda bem que assim o é. O que mais me poderia pôr maluco nesta altura é estar aqui a perder o meu tempo.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Summertime snapshots

Decidi pôr-me a brincar com umas fotos que tirei no Domingo passado. Aumentei a exposição, pus a preto e branco, corrigi certos detalhes, e ficaram porreiras. Deixem-me partilhá-las convosco. Naquele chuto parado no tempo, algo me diz que a bola não vai tomar o melhor rumo. Sweet Jane, a rapariga solitária, de costas, misteriosa de frente para a cidade. Ou a pausa nas fotos de casamento para cachorro quente e gelados. Tudo isto na tarde bucólica de Verão. É giro como umas pequenas alterações aqui e ali podem dar uma certa personalidade à mais banal das fotos. Assim dá gosto.



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quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

O que faz falta é animar a malta.

Voltando a Central Park no Verão, mostro-vos então um momento mais animado. Em cada pequena praça ou entroncamento das vielas do Central Park pude encontrar alguém a fazer um qualquer tipo de animação, para que o transeunte, turista ou indígena, se sentisse animado o suficiente para botar o dólar na caixinha. Vi palhaços com um feitio rabugento a desconseguir de não maravilhar as crianças. Vi um menino numa preparação precisa, em pose quase religiosa antes do seu break dance e um hooler hooper colorido sem a atenção colorida do público. Isto e os truques nos patins do costume, as bandas mais ou menos jazz, ou os guitarristas solitários com mais ou menos estilo. Central Park de Verão é uma animação.



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terça-feira, 2 de Setembro de 2008

R.I.P. - Tomias 1989 -2008

Uma homenagem ao meu gato estúpido. Foram uns bons anos a aturar-mo-nos mutuamente. Companheiro de vida. Descansa em paz. E vai dando cabo da cabeça ao S.Pedro e aos anjinhos até que eu chegue. Hei-de-te ouvir a miar por lá!

Toma lá um epitáfio decente:
__________________
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

F. Pessoa 1931, Cancioneiro

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Central Park de Verão (I)

Hoje começa Setembro. Uma boa notícia porque quer dizer que só me restam mais três meses por aqui. Claro que tinha de ir a Central Park antes que o Verão acabasse, e estando já em Setembro isso significa que apenas restam 23 dias da maravilhosa estação. Sendo assim, fi-lo já este fim de semana para ver como é, e é uma alegria! Os casais apaixonados a gostarem-se um ao outro e os solitários que simplesmente se estendem ao sol. Os pontapés na bola dos mexicanos gordos e os brancos-chiques a jogar ao jogo da Alice in Wonderland. Toda a gente a curtir o tempo bom, o calor, a bucolia do Summertime. Os nova-iorquinos sabem aproveitar bem o seu parque-maior.



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Oi?

E aí minha gente? Para quem não sabe, (eu não sabia e tive de vir a NY para ficar sabendo), dia 29 de Agosto é dia da independência do Brásíu, país irmão. Em NY o samba, a maminha, a picanha, o cupim, tudo isso se fazia sentir ainda nesse Domingo. Deu para ouvir um concerto de um moço cantando na sexta avenida, mesmo junto à Taime Esquare, deu para comer feijoada e levantar o pé do chão. No final o que conta é a Ordem e Progresso minha gente, ordem e progresso! Oi?



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quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Ahoy!

A vida náutica é uma coisa verdadeiramente high life!, não? O iate topo de gama, as míudas giras e o marejar seguro! Old Spice, Glamour! Hoje experimentei fazer ski aquático. Alugámos uma traineirazita, desenrascámo-nos como pudémos e lá fomos nós, a toda a velocidade, pela baía adiante. Quanto a mim, não me consegui levantar na água por mais de dois segundos, mas houve quem conseguisse. Podem sempre imaginar que sou eu que vou ali todo embalado a perseguir o barco e a incomodar a peixarada! De resto, não foi preciso habilidade nos skis para passar uma boa horinha. Bastou-me ser marujo. Olhar adiante, na proa da embarcação, enquanto nos lançamos pelo mar adentro sempre em frente e o barco se inclina, ora a bombordo , ora a estibordo... bombordo, estibordo.




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terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Água Vai.


Chamam-lhe NYC Waterfalls e dizem que esta instalação é das coisas mais esperadas em NY em anos! Vê-se do lado Este de Gotham City e consiste num aglomerado de tubos que expele água. Chamam-lhe cascatas. E chamam-lhe arte. Não sei o que dizer, mas garanto-vos que não é mais impressionante do que parece. Chega a ser incomodativo a idotice da coisa. Alguém deve ter pago e bem por esta canalização artística. Mas não fui eu, que não sou americano.
Lá diz o povo da minha terrinha, "A água corre para a água". É!







Ao menos o resto da paisagem é bonita.
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domingo, 24 de Agosto de 2008

Theres such a lot of world to see

E como ontem foi um dia triste aqui fica uma canção bonita e triste.



Na terça que vem vou ver o filme onde entra esta música. Breakfast in Tiffany's. Às terças há cinema em CSHL. Este mês tem sido Audrey Hepburn, um doce de mulher.

Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
You dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end--
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

(+) Um interregno

Alan Watts - Music and Life.
O que dizem do que este americano diferente diz?

terça-feira, 19 de Agosto de 2008

McCarren Pool presents:

Domingo soalheiro por estes lados do rio Hudson. Desta feita voltei a Williamsburg a fim de ouvir boa música com palco montado no meio de uma piscina e os últimos calorzinhos de Verão ainda à espreita. À primeira vista, sítio improvável para uma coisa destas. Mas o bairro mexeu-se, pôs mãos à obra, e ocupou um lugar antes inutilizado para fazer florescer desta feita uma série de eventos de verão, de graça, para a malta não ficar a apodrecer na melancólica torreira da época.
Depois de se entrar pelo arco do monolito de McCarren Park deparamo-nos logo com uma comunidade de gente neo-hippie-neo-punk-neo-perfeitamente-na-boa, a disfrutar do sonzinho do DJ. De um dos lados da piscina uns matulões jogam Dodgeball e urram fraternalmente a cada tiraço certeiro. Por todo lado belas nova-iorquinas deixam-se ver em trajes frescos. Vê-se gente contente, cores berrantes, tatuagens elaboradas, óculos como os da Amália, míudas de sandálias. Sinto-me bem e em boa companhia.
Já tive o meu festival de Verão, nem que seja por meia dúzia de horas.




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segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Um salto a Este

Heis-que quebro com o desenrolar normal da coisa e salto bruscamente para o outro lado do oceano. Perdoem-me o capricho. Dia 17 de Agosto é dia de São Mamede em Janas, terra onde cresci. Sempre foi dia de romaria à capela circular, filhoses, quermesse, parrameiros e três fitas numa trança. Sempre foi assim, menos este ano. Há quem me tenha guardado uma trança para dar sorte, até ao próximo dia de São Mamede. É bom ter coisas para não esquecer como a tranquilidade de uma terra mãe, mãe de infância.



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sábado, 16 de Agosto de 2008

Eco-World

Este é o famoso Toyota Prius, estacionado numa das feiras da cidade no sábado passado. Famoso porque é um carro híbrido, funciona a combustíveis fósseis, mas também é capaz de funcionar com energia eléctrica. Muita gente acha que toda a gente deveria ter um porque supostamente é amigo do ambiente. Nestas coisas há sempre disse-que-disse, informações-mitos e tal, uns acham que é bom, outros que é mau. O costume.
Ainda em Portugal vi uma palestra de um senhor que estava a estudar os lémures, simpáticos primatas, exclusivos de madagáscar, que evoluiram independentemente de qualquer outro tipo de primata do mundo. Criaturas únicas, incrivelmente preciosas. Contou este senhor que em Madagáscar a coisa não vai muito bem, como normalmente acontece nestes casos. E contou ainda que por causa destes híbridos a coisa pode-se tornar bem pior. É que estes carritos precisam de baterias de Cobalto e Níquel, e imaginem lá onde é que há grandes jazigos de cobalto e níquel,... Pois é!
Por isso, é bem irónico que um destes carritos esteja a patrocinar os lémures de Madagáscar do Zoo de Bronx. Irónico e um pouco torcido!
O nosso mundo tem destas hipocri-coisas que nos fazem invocar o tal cliché, melhor rir para não chorar.


quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Summertime

É Verão em Nova Iorque, mesmo que por vezes troveje.
Deixo-vos com umas fotos de calor bom do sábado passado. As ruas mudaram desde que cá estive. Estão diferentes porque é verão. Feiras pequenas, mãos dadas, calções e garrafas de água. Um charme diferente, uma outra boémia.
Na praça da Union Square, três personagens com uma incrível bebedeira de fim de semana, vivida em câmara lenta. Na East Village, mais para os lados do rio Hudson, para lá da zona trendy, a típica foto dos míudos de NY a curtirem a água num dia quente. Perto do parque que dá para o rio, uma senhora coquette, provavelmente muito judia, a ler deliciada uma fotonovela das antigas. Numa das feiras da Greenwich Village um homem fabrica pipocas com duas grandes ventoinhas a colarem-se-lhe às costas.
...Summertime and the livin' is easy...




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terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Um pequeno interregno...

Antes de continuar com mais fotografias e descrições fantasiosas das aventuras pelo Wild West, e de tudo o que é bom e maravilhoso ou estranho, deixem-me apenas falar um pouco sobre três colegas daqui do laboratório.

O meu colega do lado é Iraniano. Falou-me sobre o Irão e Teerão, sobre a revolução que depôs o Xá, amigo dos Americanos, falou-me sobre os nove anos de guerra com os invasores Iraquianos e os dois anos que passou na sua cave a ter aulas da primeira e segunda classe pela televisão estadual. Fala-me todos os dias em como o Irão se está a reconstruir a pouco e pouco e como o seu primeiro-ministro, Ahmadinejad, cuida dos pobres e irrita os ricos do seu país, ao mesmo tempo que se comporta como um perfeito palhaço nas políticas internacionais. Diz com orgulho que no seu país não se importa nada dos EUA, e não é preciso.

Um outro, já de mais idade e de outra posição, é Peruano. Falou-me hoje de como quando era criança todas as sextas-feiras, às sete da tarde, havia um carro que explodia em Lima. Era a forma que os rebeldes comunistas tinham de mostrar forças ao governo peruano. Descreveu-me precisamente um dia em que um deles explodiu mesmo ao pé dele e só se lembra de ver as pessoas a fugir rua fora, e ele sem perceber porque tantos carros atravessavam o sinal vermelho.

O outro é da Geórgia...
Quase não fala. Boceja de nervosismo. Passou o dia de hoje no computador, a ver as notícias, a falar com a família pela internet, sem poder fazer muito mais, sem conseguir trabalhar. Pensa em ir ao seu país, ter com o pai que vive no Norte, atravessar a fronteira de carro e ir ter com a família. Não sabe o que poderá acontecer. "Eles bombardearam a capital, queriam avançar contra a própria capital!". Lê blogs de russos e os jornais e não percebe porque é que os russos, os russos normais, afirmam a sua disposição em pegar em armas para irem lutar eles próprios. - " O que se passa?, é uma mentalidade de segunda guerra mundial! É assustador ser vizinho de um país assim, as pessoas lá estão todas assustadas!"

...
..
Não podemos deixar de nos aperceber do quão pequeninos somos ao pé de tudo o que se passa. E de como, mesmo com todas as nossas pequenas coisas, a nossa vida é de certa forma risonha à beira mar plantados. Não?

domingo, 10 de Agosto de 2008

Times Square by night (III)

...e trabalho.

É assim a praça-carrossel, parque de diversão de turistas empanturrados de néon, à uma da manhã de uma segunda-feira. A horas impróprias, dia de trabalho, como outro qualquer.



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sábado, 9 de Agosto de 2008

Times Square by night (II)

Times Square, uma da manhã de segunda-feira.
Turismo...



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sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Times Square by Night (I)

Times Square, uma da manhã de segunda-feira.
Turismo e trabalho.
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quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Never-NeverLand

Cada vez que quero lavar a minha roupa desço ao Porão da Olney House.
Lugar sombrio ao estilo Blair Witch Project, nada parecido com as lavandarias de menino mimado a que estava habituado. Se me puser a fantasiar um pouco posso dizer que a coluna e o grande vaso que encontramos na cave são sinais de outros tempos, clássicos e decadentes, repletos de orgias românicas entre diabretas e senhores ricos, regadas a vinho e outras delícias. As grandes garrafas metálicas são antiguidades científicas dos tempos em que Marie Curie isolava o Radium, descobria a sua radioactividade e se fazia sepultar com cancro. E que os sacos estendidos têm pedacitos de gente que se portou mal, deixados a fermentar durante estes anos todos que Cold Spring Harbor vai tendo.
No fundo a cave não passa de uma grande imundice, que se revela uma aventura de cada vez que se quer pôr a roupita cheirosa. E, só para envolver o sítio com uma atmosfera ainda mais gore, heis que na saída se vê um sinal luminoso, como na música daqueles outros que cada vez estão mais velhos- EXIT light, enter night, take my hand, we're off to never-neverland!




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quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Revi(g/c)oração

Há certas coisas que só nos fazem é bem.
Eddie Vedder veio a New York na segunda-feira passada e eu não pude perder a oportunidade de o ouvir nesta cidade louca. Depois de passar a semana anterior exaustivamente a procurar um bom bilhete acabei por encontrar um no eBay que por sua vez acabou por chegar às duas da tarde do próprio dia do concerto. Vertigem! Com o bilhete na mão embarquei para a NY, pela primeira vez em alguns meses, para a encontrar uma cidade a suar em pinha mas com os ares condicionados bem refrigerantes.
175th com a Broadway, numa igreja que de vez em quando acolhe coisas destas, fica o desconhecido United Palace Theatre, palco intimista e excêntrico, perfeito para um concerto a solo deste senhor. O rebuliço era grande, a cerveja cara, as expectativas altas.
No final ficou um saborzinho a privilégio mas também um engolir seco a melancolia, a saudades dos amigos e do sol alentejano e saudades de um futuro melhor.





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domingo, 3 de Agosto de 2008

Domingo, dia santo!

Domingo é dia santo, mesmo quando se vive onde se trabalha. Por isso hoje fui à praia. Ao fundo da One Bungtown Road, a 3 minutos da minha casa, 5 do laboratório, fica a praia de Cold Spring Harbor. Na Riviera Coldspringuiana a água é quente e meio salobra, e nela habitam algas e limos mas não ondas, excepto quando os barcos Americanos passam a abrir com um esquiador atrelado. Hoje encontrei uma garça, um bando de patos a partir para outro lado e na estação devida, dizem, avistam-se estranhos Horseshoe crab que vêem à costa procriar. Há caiaques de borla e um barco à vela, para os mais destemidos, e ocasionalmente um ou outro barbeque.
Não se está mal.




Era para experimentar um dos caiaques com um colega Iraniano, rica personagem persa com histórias do arco da velha para contar. Chegados à praia nada feito, os caiaques não estavam disponíveis e só nos restava o barco à vela. Sendo ambos inexperiente nas coisas das embarcações a hesitação impôs-se, mais em mim do que no Armin, que trazia consigo confiança absoluta na facilidade da empreitada.
Eu cá duvidei principalmente da nossa capacidade de trazer a nau a bom porto. Isto depois de medir bem os ventos fortes e tendo presente a ausência de astrolábio e de calções de banho!
Feito isto, voltámos para trás com promessas de voltar num outro dia, quem sabe dessa vez mais bem equipados. No caminho para o laboratório, confesso, senti-me ligeiramente envergonhado com a minha pouca Lusitaniedade no que toca às arte de marinhar! Não era a mim que me levavam à India por causa de uns paus de canela!
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sábado, 2 de Agosto de 2008

Olney House - O porto de abrigo







Mais uma vez embarquei em direcção a Oeste. Desta vez o plano é mais ambicioso. Trabalhar duro durante o resto do Verão e prosseguir pelo Outono adentro. Nos entermeios, ir descobrindo mais coisas que ficaram por encontrar. A Oeste mora a Aventura, já toda a gente o sabe, desde os tempos idos dos Western Spaghettis! Este blog, a Oeste, será o lugar do meu testemunho.

Pouco mudou em Cold Spring Harbor desde a última vez que me aventurei pela Gloriosa América. As árvores agora têem folhas. Durante a noite ouvem-se milhentas cigarras a zurzir e parece que os coelhos nasceram às patadas. O ar agora é quente e o tempo húmido. Sua-se em vez de se passar frio. Também é bom.

O que mudou mais significativamente foram os aposentos que me foram concedidos. Apresento-vos Olney House, a casa victoriana, ligeiramente assombrada, que partilho com outros cinco jovens investigadores. Duas francesas e um francês, um russo e uma italiana. O quarto é muito maior que o de outrora, tenho vitrais e uma lareira. Há espaço para visitas e a praia fica a 3 minutos a pé. Quem quiser aparecer é bem vindo. Mais do que isso, desta vez pode ser bem recebido.
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